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ArtÍculos comentados
Percutaneous
coronary intervention utilizing a new endothelial progenitor
cells antibody coated stent:
A prospective single-center registry in high-risk patients
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Distribuição cumulativa
do MLD pré, pós e no FU em 31 pacientes. |
Resumo: O objetivo do estudo
foi avaliar prospectivamete a evolução de uma cohort de pacientes de alto risco
angiográfico e/ou clínico para reestenose intra-stent
nos quais foram implantados o stent capturador de células
progenitoras de endótélio (EPC). O Genous R-stentTM é um
stent coronário de aço inoxidável recoberto
por anticorpos com especificidade para a superfície antigênica
das EPC, desenhado para promover a formação de uma
camada funcional confluente de células endoteliais sobre
o dispositivo; em teoria, isto poderia resultar na prevenção
da trombose e dareestenose. Entre Novembro/2005 e Março/2007,
80 pacientes receberam 93 stents capturadores de EPC no
Campus Bio-Medico, University of Rome. Os Pacientes
selecionados tinham duas ou mais das seguintes características de alto risco:
diabetes mellitus (33%), síndromes coronarianas agudas (73%),
disfunção ventricular esquerda (8%), intervenção
em múltiplos vasos (9%) e lesões B2/C (56%). Clopidogrel
foi administrado por apenas dois meses após o procedimento.
O sucesso do implante foi observado em 79/80 pacientes (98%), sem
a ocorrência de IAM, morte hospitalar ou cirurgia de emergência;
Nenhum paciente teve trombose aguda ou subaguda de stent. FU clínico
foi possível em 78 pacientes (média de seguimento
de 14 ± 4 meses): morte não cardíaca ocorreu
em um paciente e IAM em outro; nenhum paciente requereu cirurgia
de revascularização miocárdica; 10 pacientes
(13%) requereram revascularização da lesão
alvo (TLR); três (4%) tiveram reintervenção
em um vaso não alvo. A análise através da
curva de Kaplan–Meyer mostrou uma sobrevida livre de eventos
de 86% e curva de sobrevida livre de TLR de 90% aos 18 meses. A
perda tardia observada em 31 pacientes que tiveram FU angiográfico
foi 0,88 ± 0,62 mm, com reestenose angiográfica
de 19% e TLR de 5% nesse subgrupo.
Conclusões: O stent capturador
de EPC é seguro
e efetivo, com resultados imediatos e em médio prazo satisfatórios,
sem se associar a trombose tardia ou muito tardia de stent.
Limitações: Estudo do tipo observacional,
com número pequeno de pacientes, realizado em um único
centro. Não havia comitê independente ou adjudicação
dos eventos clínicos. A pequena amostra e o tempo curto
de FU não garante a inexistência de trombose muito
tardia. Não é possível através desse
modelo comparar a eficácia desses stents com os tradicionais
DES ou mesmos com BMS. Apesar dessas limitações,
os autores acreditam que esses stents, dada a sua segurança
e eficácia possam ser incorporados ao arsenal disponível
para ICP, sobretudo em grupos especiais, como por exemplo, aqueles
nos quais a terapia antiplaquetária dupla não possa
ser muito longa.
Comentários: Os DES tradicionais são baseados na premissa do retardo
da “cicatrização” do vaso que se inicia
logo após o implante do stent. A resposta cicatricial inadequada
leva em última instância a reestenose intra-stent
(RIS). Os DES ao bloquearem essa resposta controlaram de forma
efetiva a RIS. Dentro desse cenário, a estagnação
observada na era dos BMS devido ao temor da RIS, no que concerne
ao tratamento de lesões de grande complexidade foi superada.
As ICP contemporâneas incluem no seu modelo “off-label” o
tratamento de multiarteriais, lesões extremamente longas,
oclusões crônicas, TCE, diabéticos, etc; situações
claramente pouco resolvidas até então com os BMS.
Entretanto, após a euforia dos primeiros ensaios clínicos
randomizados, questões relacionadas a trombose desses novos
dispositivos e mesmo a não eliminação da RIS,
permitem que novas estratégias sejam buscadas para o tratamento
percutâneo da DAC sintomática. Como ponto crítico
associado aos DES está a obrigatória longa duração
da terapia antiplaquetária com aspirina e clopidigrel, sob
pena da trombose tardia e muito tardia dos stents. A trombose dos
DES é sem dúvida multifatorial, sendo implicados
mecanismos associados ao procedimento, as características
do paciente, da lesão, do próprio stent, do polímero
e, como enfatizamos anteriormente, da terapia anti-plaquetária.
Mas, a propriedade “anti-cicatricial” é de longe
a principal responsável pela trombose tardia e muito tardia
associada aos DES. A resposta natural ao trauma produzido pelo
implante do stent é a cicatrização do vaso,
que consiste em última instância na reendotelização
das hastes por células endoteliais desejavelmente funcionais.
As drogas que bloqueiam o ciclo celular, independente do seu mecanismo
de ação, inibem não apenas a proliferação
e migração das células musculares lisas, mas,
também retardam a multiplicação das células
endoteliais satélites ao trauma. A não completa reendotelização
(ou a presença de endotélio disfuncionante) deixa
as hastes dos stents descobertas, com grande probabilidade de gerarem
fenômenos trombóticos. Essa propriedade “anti-cicatricial” não
depende da plataforma do stent (aço ou cobalto-cromo) ou
do tipo de polímero, mas da própria droga. Portanto,
os DES de nova geração, até provem em contrário,
continuarão a se associar com trombose tardia e muito tardia.
A alternativa lógica para essa “armadilha” seria
a utilização de stents “pró-cicatriciais”.
Os resultados apresentados no estudo do Miglionico, embora não
sejam impressionantes, põe em discussão essa alternativa
e incentiva a realização de estudos controlados com
esse stent. No estudo desse autor e seus colaboradores, não
foi observada trombose de stent, a despeito da utilização
da dupla terapia antiplaquetária por apenas dois meses.
O Genous R StentTM (Orbus Neich, Fort Lauderdale, Florida) consiste
em um stent coronário de aço inoxidável 316L,
coberto com uma matriz biocompatível. Através de
ligação covalente a essa matriz, uma camada de anticorpo
monoclonal murino CD34 humano é aderida. Esse anticorpo é especialmente
dirigido para as células que expressam o antígeno
CD34+, que é específico para o antígeno de
superfície presente nas células progenitoras de endotélio
(EPC) circulantes. No stent, esses anticorpos criam uma camada
de imuno-afinidade que preferencialmente capturaram as EPC circulantes,
atingindo assim o efeito “pró-cicatricial”.
No registro HEALING-FIM (First in Man) foram avaliadas a segurança
e aplicabilidade do stent GENOUS em 16 pacientes com lesões
de novo em único centro (Thoraxcenter, Rotterdam, The Netherlands).
Os pacientes com angina estável receberam um stent GENOUS
(13 a 18 mm de extensão) para lesões únicas,
em vasos com diâmetro de referência entre 2,5 a 3,5
mm. No protocolo foi indicado apenas um mês de clopidogrel.
Sucesso clínico e angiográfico do procedimento foi
obtido nos 16 pacientes. A taxa de eventos cardíacos e cerebrovasculares
adversos maiores (MACCE) foi de 6,3% devido a um caso de revascularização
do vaso alvo clinicamente dirigida. No seguimento de seis meses
a perda tardia foi de 0,63 + 0,52 mm e o percentual de obstrução
do stent foi de 27,2 + 20,9%. Esse primeiro estudo mostrou que
o stent GENOUS é seguro e aplicável em seres humanos.
No estudo HEALING II foram avaliadas a segurança e capacidade
de reendotelização relacionada ao stent GENOUS em
63 pacientes de 10 centros da Holanda, Bélgica e Alemanha.
Nesse estudo foram incorporadas modificações no design
do stent, método de esterilização e cobertura
com anticorpos. O seguimento angiográfico e ultra-sonográfico
foi realizado aos 6 e 18 meses. Os níveis séricos
circulantes de EPC foram medidos através de citometria de
fluxo e correlacionados aos achados angiográficos e ultra-sonográficos.
O seguimento angiográfico de 6 meses (58/63 pacientes) mostrou
uma perda tardia de 0,78 ± 0,39 mm e uma reestenose binária
de 17,2% (10/58). Não foram observados eventos cardíacos
adversos maiores (ECAM) aos 30 dias. Houve uma forte correlação
entre a perda tardia intra-stent e os níveis séricos
de EPC circulantes em 6 meses (R = 0,727). Aos 9 meses a incidência
de ECAM foi 7,9% (1,6% de morte cardíaca e 6,3% de revascularização
clinicamente dirigida), mas nenhum no grupo de pacientes com títulos
de EPC normais (27 pacientes). Todos os demais pacientes se mantiveram
livres de ECAM aos 18 meses. Além do mais, a angiografia
coronária (30 pacientes) revelou uma diminuição
na perda tardia de 0,71 mm aos 6 meses para 0,58 mm aos 18 meses.
Essas mudanças na perda tardia se correlacionaram com as
mudanças nos títulos de EPC. Também ficou
demonstrada relação entre os níveis de EPC
e administração prévia de estatinas.
O conceito “pró-cicatricial” desse stent parece
lógico, atrativo e fascinante. Mas, existem certas questões
que causam inquietudes: Esse stent depende diretamente dos níveis
de EPC circulantes para se25.04.2008 II. Idade avançada, diabetes, hipertensão, colesterol
elevado diminuem o número de EPC circulantes, além
de reduzir sua funcionalidade. Embora essa resposta possa ser melhorada
com o pré-tratamento com estatinas por duas semanas, algumas
situações clínicas emergenciais não
permitem essa estratégia.
O que nos aguarda é testarmos o modelo da “pró-cicatrização” contra
os tradicionais DES e BMS em ensaios clínicos controlados.
Assim, o ”tempo” dirá se essa estratégia é segura
e eficaz, como o fez com os DES.
Referências:
- Shuchman, M., Debating the risks of drug-eluting stents. N
Engl J Med, 2007. 356: 325-8.
- Mauri, L., et al., Stent thrombosis in randomized clinical
trials of drug-eluting stents. N Engl J Med, 2007. 356:
1020-9.
- Maisel, W.H., Unanswered questions--drug-eluting stents
and the risk of late thrombosis. N Engl J Med, 2007. 356:
981-4.
- Aoki, J., et al., Endothelial progenitor cell capture by
stents coated with antibody against CD34: the HEALING-FIM (Healthy
Endothelial Accelerated Lining Inhibits Neointimal Growth-First
In Man) Registry. J Am Coll Cardiol, 2005. 45: 1574-9.
- Serruys,
P.W., The Genous endothelial cell capture system: final
results from the HEALING II study. TranscatheterCardiovascular
Therapeutics; October 21, 2005; Washington, DC, 2006.
J. AIRTON
ARRUDA, MD, PhD, FSCAI,
Cardiologista
Intervencionista
Editor
do Portal SOLACI
Vitória,
ES, Brasil
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